Luiza Helena Trajano: O jovem aprendiz e o futuro do Brasil

Luiza Helena Trajano: O jovem aprendiz e o futuro do Brasil

Em sua nova coluna, a presidente do conselho de administração do Magazine Luiza defende um olhar mais social sobre a contratação de pessoas em situação de vulnerabilidade

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Luiza Helena Trajano: O jovem aprendiz e o futuro do Brasil (Foto: Unsplash)

O Brasil atravessou um período de longa crise em que o principal problema foi o imenso número de desempregados que ainda persiste, embora comece a se vislumbrar uma tímida retomada de crescimento nas vagas de trabalho.

 

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Será um longo período de recuperação. Todas as regiões do Brasil enfrentam essa situação, e também em todas as faixas etárias, mas a quantidade de jovens que perderam a chance de iniciar sua vida de trabalho neste período foi imensa.

O varejo é a grande porta de entrada, aquele que oferece o primeiro emprego, é o setor que mais acolhe o jovem que está iniciando sua jornada no mundo do trabalho e será cada vez mais assim que terminar o medo jurídico com a jornada intermitente, que beneficia ainda mais o jovem que estuda e pode compor seus horários de acordo com suas necessidades.

Mas, atualmente, tenho voltado meu olhar para o jovem aprendiz. Esse é um programa de extrema importância para a inclusão de jovens, especialmente os mais pobres e vindos da periferia, mas que precisa de um real engajamento da sociedade para que cumpra seu verdadeiro papel social.

Hoje a realidade é que o jovem que mais precisa ser inserido no mercado de trabalho muitas vezes não conta nem com o dinheiro da passagem para poder participar de um processo seletivo e acaba ficando como alvo fácil para ser cooptado para trabalhar no mercado da droga ou do subemprego.

Para o Brasil que queremos é necessário ir além do formal, é preciso que os empresários, qualquer que seja o tamanho da empresa, tenham um olhar diferenciado para o jovem aprendiz, e não uma postura de apenas procurar cumprir cotas e a legislação.

Existem muitas casas de abrigo que acolhem adolescentes, mas eles têm que sair ao completar 18 anos e nem sempre conseguem emprego justamente por morarem em abrigos; com isso, acabam não tendo condições de sustento, restando somente a rua. Também não são poucos os casos de meninas que ficam grávidas na adolescência e acabam excluídas do mercado de trabalho.

É preciso dar um papel social para a contratação do jovem aprendiz nas empresas, é necessário que ela seja vista como um propósito na companhia. Esse programa deve ser voltado para os que realmente precisam, trabalhando com jovens que estejam na zona de perigo social e precisem demais de um emprego para seu sustento, mas, muito mais do que isso, criando um verdadeiro sentimento de pertencimento à sociedade.

Fonte: revistamarieclaire

22/04/2019

 

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