Ayrton Senna: inspiração para milhares

Ayrton Senna: inspiração para milhares

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SÃO PAULO – Em ano de Copa do Mundo no Brasil, a palavra da moda é legado. Há, porém, dúvidas em relação à qualidade da herança que o Mundial deixará aqui ao seguir para Rússia. Mas, quando o assunto é o legado do maior piloto que o país já teve, o saldo é irrefutável: Ayrton Senna, morto há 20 anos, inspirou a criação de um instituto com virtudes e ideais semelhantes aos que tinha. O Instituto Ayrton Senna (IAS) foi fundado em 1994, ano de sua morte, com o objetivo de atacar, na fonte, um dos maiores males do desenvolvimento humano do Brasil: a educação. Mas, para Viviane Senna, irmã do piloto e presidente da entidade, a herança dele extrapola o palpável e os números turbinados do IAS.

— Ayrton deixou três grandes legados interligados. Suas conquistas, números e façanhas fazem parte da história do Brasil. Ele se tornou objeto de admiração no mundo inteiro. Está eternizado. Ele, em si, é um legado para o brasileiro — opina Viviane, que acredita ser óbvia a lição sobre segurança nos carros e nas pistas, sempre abraçada pelo irmão. — Além do ídolo, herança que é nossa, Ayrton também deixou o aprendizado da garra, superação, disciplina, trabalho duro. Tudo isso, somado ao talento, fez com que ele chegasse ao topo. Não tinha jeitinho, trapaça, como muitos faziam. Esses ideais, que permeiam o instituto, é pura inspiração. E para todos os profissionais. Por isso, considero um segundo legado, além do instituto em si.

Uma das evidências de que esses ensinamentos, e consequentemente o próprio Senna, estão enraizados na memória de brasileiros e estrangeiros foi comprovada por pesquisas recentes. A Sponsorlink, do Ibope Repucom, mostrou que, entre os principais nomes da F-1, sejam corredores em atividade ou aposentados, Senna é o mais citado no Brasil e o terceiro no mundo nas redes sociais.

Para chegar a esse resultado foram mensuradas citações no Twitter, Facebook, Youtube, fóruns, blogs e websites, de janeiro a dezembro de 2013.

Outro estudo do Ibope Repucom, o Celebrity DBI, que afere a percepção da população sobre celebridades em vários países, aponta que Senna é a primeira personalidade em aceitação e carisma entre os brasileiros (89,84%). Também teve destaque entre italianos (79,88%) e espanhóis (73,38%), segundo dados de setembro de 2013.

Mais uma pesquisa, a Brand Asset Valuator, da Young & Rubicam, conclui que, tanto para o público geral quanto entre os mais jovens, sua liderança e qualidade são marcantes.

O estudo, em 44 países, entrevistou 500 mil pessoas e avaliou mais de 20 mil marcas. No Brasil, o mais recente, de 2011, ouviu três mil consumidores, em seis capitais, para avaliar mais de 1.500 marcas, serviços, produtos, celebridades e etc. (em mais de 130 categorias). Senna foi considerado a quarta marca mais valiosa entre os homens e a quarta marca na faixa etária acima de 55 anos.

O IAS, cujas conquistas são impressionantes, pesquisa e produz conhecimento para melhorar a qualidade da educação em larga escala. Trabalha para desenvolver o potencial das novas gerações, ajudando estudantes a ter sucesso na escola e a ser cidadãos capazes de responder às exigências profissionais, econômicas, culturais e políticas do século XXI. Financiado com recursos próprios, de doações e de parcerias com a iniciativa privada, teve receita de cerca de R$ 45 milhões em 2012 e 2013. E movimentou cerca de R$ 21,3 milhões em contratos com a utilização da imagem do piloto e do instituto (mesmo período).

— O Ayrton está mudando a vida de milhares de crianças. Queremos dar a todos os brasileiros condições de primeiro mundo. Hoje, apenas a minoria da nossa população tem. E o passaporte é a educação. A maioria vive em um país de terceiro mundo, equivalente à Argélia. Há um descompasso entre o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento humano — declara Viviane, ao explicar o motivo pelo qual ela e a família levaram o sonho de Ayrton adiante, investindo em educação em larga escala. — Pensamos onde atacar para ter maior resultado em várias áreas. Fomos na jugular.

Atualmente, o IAS capacita 75 mil educadores (mais do que todas as faculdades de pedagogia do Brasil por ano) e seus programas beneficiam diretamente mais de 2 milhões de alunos em 1.300 municípios (1/5 dos municípios brasileiros). O número de alunos atendidos, em escolas públicas, ONGs e universidades, é maior do que o total de estudantes no ensino fundamental em sete países, incluindo Suíça, Nova Zelândia e Islândia.

Entre os resultados, a taxa média de aprovação de seus alunos foi de 88,5% nos anos iniciais (1º ao 5º) do ensino fundamental, e de 85,7% nos finais (6º ao 9º), índices superiores aos dos estados e regiões a que pertencem.

Nas redes apoiadas pelo IAS, a taxa de abandono das escolas do ensino fundamental é metade (1,6%) do verificado no país, segundo o MEC. Esse número, se comparado aos cenários típicos em que se encontram os municípios, é 41% menor do que a dos estados e 53% menor do que a taxa média das regiões a que pertencem.

Pelos resultados e pelo desenvolvimento de ferramentas, o IAS integra, desde 2004, a rede de Cátedras UNESCO no mundo, e colabora diretamente para que o Brasil possa atingir as metas propostas pela ONU para prover educação básica de qualidade para todas as crianças e jovens até 2015.

— Quem mora na Gávea tem IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) igual ao do Canadá. E quem vive na Rocinha, IDH como o da Argélia. Ao atravessar a rua, perde-se 20 vezes em educação, 10 vezes em renda e 10 anos de vida — aponta Viviane, que compara o IAS a um laboratório, que desenvolve vacinas para “curar” milhares de pessoas. — O IAS criou metodologia de ensino que se aplica a Altamira (PA), Rocinha (RJ) e a qualquer cidade do Paraná. Identificamos essa nova lógica, de ensino em larga escala, e criamos um novo paradigma, um novo planejamento para a área.

Agora, um novo passo está sendo dado, de forma inédita, nas escolas públicas do Estado do Rio.

— É o trabalho com as habilidades não cognitivas, que se tornou linha da largada, não de chegada, no mundo inteiro. Isso porque existe um outro perfil de necessidade. Desenvolvemos e testamos um instrumento de avaliação em larga escala sobre as habilidades não cognitivas nas escolas da rede estadual do Rio. E descobrimos, entre outros pontos, que disciplina e responsabilidade aceleram em três meses, dentro de um período de oito, a aprendizagem em matemática. E iniciativa e foco aceleram em três meses, dentro de um ano, o aprendizado em português — explica Viviane, ao lembrar que a primeira escola que passou a lecionar por temas, e não disciplinas, é a Escola Estadual Chico Anysio, no Andaraí.

O Rio é grande parceiro do IAS. Em 2009, diante de um quadro preocupante em relação à alfabetização dos alunos e outros indicadores de aprendizagem, a Secretaria de Educação do município montou uma força-tarefa para melhorar os índices educacionais, corrigir o fluxo dos anos iniciais do ensino fundamental e desenvolver nova metodologia de alfabetização para alunos do 6º ano (sequer estavam alfabetizados), entre outros

Carol Knoploch – O Globo

Fonte: Extra.Globo

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