Agentes de transformação

Agentes de transformação

Os rumos da equidade e do fortalecimento da mulher traçados em nosso mercado de trabalho me deixam muito confiante. Por certo ainda temos bastante a crescer, mas não podemos esquecer o quanto avançamos nesse assunto.

Vemos atualmente mulheres ocupando altos cargos em empresas antes totalmente masculinas. No varejo, na década de 1990, quando assumi a superintendência do Magazine Luiza, era a única representante mulher nesse segmento.

Nunca procurei equiparar-me a um modelo masculino, nunca deixei de ser feminina para poder exercer minha liderança. Tive sempre a certeza de que nossa forma de gestão, a maneira como percebemos as coisas, faria a diferença nas organizações.

Nada melhor do que perceber que essa hora chegou. Intuição, flexibilidade no lidar e poder de realizar várias atividades ao mesmo tempo são algumas das qualidades necessárias aos líderes de hoje.

Vivemos um período de conquistas e valorização alcançadas pelas próprias mulheres –e o melhor, com diversos exemplos de lideranças bem-sucedidas em ambientes muitas vezes extremamente masculinos. Podemos citar como exemplo as gestões de Claudia Sender, Sonia Hess, Chieko Aoki, Duda Kertész, Janete Vaz, Sandra Costa, Annette de Castro, entre tantas outras.

Criamos recentemente o Grupo Mulheres do Brasil, que conta com representantes de dezenas de áreas de atuação. Sonho que iremos contribuir de forma concreta para as diversas mudanças necessárias. Estamos juntando forças para isso.

Outra questão importante são as cotas para mulheres em conselhos de administração. Sou totalmente favorável a qualquer tipo de ação temporária para combater uma distorção causada pela sociedade, distorção que levará dezenas de anos para ser corrigida se esse sistema não for adotado.

Há variados motivos para explicar o pequeno número de mulheres no comando de grandes empresas. Certamente o preparo intelectual e a capacidade de trabalho não estão entre eles. As mulheres, é óbvio, estão aptas a ocupar essas vagas e totalmente em sintonia com as modernas tendências de administração.

Os Princípios de Empoderamento das Mulheres, criados pelo Pacto Global e a ONU Mulheres, elencam as lutas sempre defendidas por nós, como igualdade de gênero, maiores investimentos em saúde e educação e engajamento social.

Acho fundamental o apoio de empresas e entidades a este pacto –se não por engajamento na causa, que seja por inteligência. Está provado que o consumo do mundo inteiro é movido pela mulher.

Recentemente estive no Japão com integrantes do Grupo Mulheres do Brasil e fiquei impressionada com a importância dada às políticas de valorização da mulher em um país tão tradicional. O próprio primeiro-ministro japonês esteve em todas as reuniões e entrou em todas as discussões para entender as formas de ampliar o protagonismo do papel feminino.

Nós mulheres devemos ser agentes de transformação da sociedade. Precisamos ampliar nossa participação na economia, na política e fazer a diferença no Brasil.

LUIZA HELENA TRAJANO é presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza e do IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo

Fonte: Folha.Uol

 

11/03/2016

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