Dono de fábrica de chocolate busca receita para rico investir mais no social

Dono de fábrica de chocolate busca receita para rico investir mais no social

‘Quero ver tirar herança do filho para dar para o filho de quem não se conhece’, diz fundador da Cacau Show

29.mai.2018 às 2h00

Como no filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (2005), o dono da Cacau Show lançou mão de uma estratégia engenhosa para fazer a alegria de crianças carentes na última Páscoa.

Na versão Willy Wonka do século 21, o empresário Alexandre Costa, 47, valeu-se de um leilão beneficente que decidiu promover entre 200 amigos de um grupo de WhatsApp, muitos deles ricos e/ou famosos.

Em disputa estava um ovo de Páscoa de 700 kg. Resultado: a prenda gigante foi arrematada por R$ 50 mil, cinco vezes o valor do lance inicial.

No espírito da data, o ganhador, um empresário do ramo de construção civil, resolveu doá-lo novamente.

Em mais um lance de um outro amigo de Costa, outros R$ 50 mil entraram na contabilidade do bem.

Animado com a largada promissora da campanha informal de doação, Costa, o administrador do grupo, colocou outras guloseimas no leilão digital que mobilizou estrelas da televisão como Ana Maria Braga, Faustão, Luciano Huck e Mariana Godoy.

“Coloquei na roda mais três ovos de 70 kg cada um e outros 25 de 7 kg”, recorda-se Alê.

E o milagre da multiplicação dos ovos de Páscoa rendeu, ao final, uma arrecadação de R$ 303 mil. Além do dinheiro destinado ao instituto, 1.400 instituições foram escolhidas para receber 200 mil ovos para as crianças beneficiadas. “E não era ovinho, não. Eram dos grandes”, pontua o empresário.

Para Costa, a ação ganhou outro significado: a certeza de que ele e seus amigos endinheirados podem fazer muito mais e para além da Páscoa, em um país como o Brasil, onde a cultura de doação e o investimento social privado ainda engatinham.

“As pessoas querem fazer mais e não sabem como”, constatou o fundador da Cacau Show. A campanha no WhatsApp acendeu a luz verde para outras ideias e para a expansão do trabalho social do instituto empresarial do grupo que atende 3.000 crianças das redondezas da fábrica de chocolate em Itapevi, na Grande São Paulo.

O jovem empresário –um caso emblemático de “self-made man” que ergueu a partir de um investimento inicial de R$ 500 um império que faturou R$ 3,3 bilhões em 2017– quer dar exemplo e ser catalisador de um movimento.

“Quero ver tirar herança do filho para dar para o filho de quem não se conhece”, provoca Costa, que investe hoje R$ 1 milhão, do dinheiro da família, da pessoa física, no instituto cujo orçamento deve crescer de R$ 6 milhões para R$ 10 milhões em 2018.

À frente do braço de responsabilidade social da Cacau Show está a mulher de Costa, Ângela, 42, mãe de seus três filhos: Julliana, 10, Isabella, 12, e Marcello, 16. “Ela participa ativamente do instituto. Não é mulher de rico que aparece só para fazer a foto. Estamos grávidos novamente, pois o instituto passou a ser um outro filho nosso”, diz o empresário.

E a ideia é fazer com que o novo herdeiro passe a ter cada vez maior participação nos resultados de um negócio, que hoje se espalha por mais de 2.000 franquias no país e tem uma previsão de 20% de crescimento neste ano.

“É justo deixar apenas para três crianças quantia de dinheiro tão relevante?”, indaga-se o pai e homem de negócios.

Costa acaba de contratar uma consultoria para fazer um planejamento estratégico e definir o legado que pretende deixar como pessoa física e jurídica.

É o desenho de um modelo de investimento social privado no qual pretende além de abrir a carteira arregaçar as mangas em prol de causas que efetivamente transformem a realidade brasileira.

“É doar tempo e dinheiro. Quero entender a fundo o mundo da filantropia e do empreendedorismo social no país.”

Ainda em fase de estudos, ele sinaliza algumas possibilidades. “Por que o nosso instituto não pode ser um sócio da Cacau Show?”

Costa pensa alto ainda ao imaginar formas originais de engajamento da classe empresarial. “Por que não pensar em destinar parte do lucro da sua empresa para causas sociais?”

De origem simples, o jovem bilionário, que já ganhou os mais variados títulos como empreendedor, chama para si a responsabilidade de ser um exemplo também de responsabilidade social.

“Tenho hoje um profundo entendimento da minha função social e do quanto eu posso devolver para a sociedade que me deu poder e riqueza.”

Prestes a festejar em setembro os 30 anos do negócio que criou quando tinha 17 anos, em 1988, Costa diz que busca maneiras de aproveitar os recursos de que dispõe e de sua fortuna da melhor forma para todos. “Minha família cresceu materialmente, espiritualmente e socialmente. Eu não vou comer dois pratos de comida, ter dois helicópteros ou duas casas na Riviera francesa.”

Seu primeiro carro, um fusca 1978 que era usado para entrega e venda de ovos de chocolate de porta em porta, enfeita a entrada da fábrica de Itapevi. É um símbolo do início da trajetória de um empreendedor que gosta de repetir que “sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho”. “Meu sonho agora é fazer algo grande também pelo social”, diz o dono de fábricas que produzem atualmente 22 mil toneladas de chocolate por ano.
Eliane Trindade

Editora do prêmio Empreendedor Social, editou a Revista da Folha. É autora de “As Meninas da Esquina”.

 

Fonte: Folha de S.Paulo

31/07/2018

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